A Verdade da Mentira - II

Algumas verdades, com uma ou outra mentira, talvez um pouco de ironia e algum humor

quinta-feira, agosto 31, 2006

Gosta de poesia?

(recebido por mail)

Caro(a) Amigo(a),

Antes de mais, queira não me levar a mal esta forma familiar e informal de tratamento, pois não nos conhecemos. Mas permita-me que o(a) possa considerar meu(minha) amigo(a), no caso de ser uma pessoa que ama a poesia.
Se é realmente, um(a) amante de poesia – seja lida, recitada ou cantada – , só lhe peço dois minutos para ler as linhas que se seguem.
O poeta e dramaturgo Federico García Lorca dizia que "os poemas são feitos para serem recitados, porque num livro estão mortos". Convém lembrar que a poesia começou por ser uma arte da oralidade (na Antiguidade, a "Ilíada" e a "Odisseia" faziam parte da tradição oral). Não sei se sabia, mas na rádio pública portuguesa, mais concretamente na Antena 2, há um espaço dedicado à poesia recitada. Intitula-se "Os Sons Férteis" e é da responsabilidade de Paulo Rato que conjuntamente com a actriz Eugénia Bettencourt se encarrega da recitação dos poemas. É transmitido de segunda a sexta-feira, sempre às 11 horas da manhã. Efectivamente, trata-se de um trabalho de excelência que a nossa rádio nos proporciona, mas infelizmente pouco promovido e divulgado. Como sou um grande cultor de poesia – especialmente recitada – achei por bem encetar uma campanha de divulgação desta admirável rubrica, um exemplo paradigmático do melhor serviço público de rádio. Neste momento, o(a) caro(a) amigo(a) estará decerto a interrogar-se quanto ao que motivará este meu voluntarismo. É muito simples: é que no Grupo de Amigos do LUGAR AO SUL a poesia merece uma atenção muito especial e, como tal, eu enquanto animador do grupo passei a facultar aos seus membros, nem mais nem menos, que os poemas que são ditos em "Os Sons Férteis". Em cada sexta-feira, procedo ao envio dos poemas escolhidos para a semana seguinte. E quem não puder ouvir a rubrica em directo, na Antena 2 – por via hertziana caso resida em Portugal continental, Açores ou Madeira, ou através da emissão online para todo o mundo –, tem sempre a possibilidade de a ouvir acedendo ao arquivo de programas da RDP. Ler um poema e, ao mesmo tempo, ouvi-lo de viva voz pode constituir uma experiência muito enriquecedora. E depois, sempre nos acontece encontrar poemas que, por uma ou outra razão, nos tocam bem no fundo da alma e que gostaríamos de ter sido nós a escrevê-los. Poemas que nem suspeitaríamos que existissem e que por exprimirem tão bem os nossos sentimentos e pensamentos passamos a guardá-los como se fossem tesouros preciosos.
Para receber graciosamente na sua caixa de e-mail os poemas recitados por Paulo Rato e Eugénia Bettencourt, basta tornar-se assinante do Grupo de Amigos do LUGAR AO SUL, conforme especificado abaixo. Na nossa tertúlia, além dos ouvintes do programa de Rafael Correia, cabem todos quantos comungam de um vital e intenso amor à poesia em língua portuguesa (escrita originalmente em português ou vertida para a língua de Camões por tradutores credenciados).
Se entender por bem aceitar o meu convite, estou certo de que vai gostar da experiência, mas na eventualidade pouco provável disso não acontecer pode sempre abandonar o grupo, a qualquer momento, sem que lhe seja pedida qualquer satisfação.
Atenciosamente,

Álvaro José Ferreira
Animador do grupo Amigos do LUGAR AO SUL


Instruções para assinar o grupo Amigos do LUGAR AO SUL:

Clique em [ Amigos do LUGAR AO SUL]. Aguarde um momento para ligação à página. Agora, no lado esquerdo, abaixo da fotografia, clique em [assine o grupo]. No campo que vai aparecer digite o seu endereço de e-mail e um apelido (facultativo). Clique em [assinar]. Agora será enviado um link para a sua caixa de e-mail.
Volte lá e clique nesse link para confirmação da sua assinatura.
E pronto!...

A partir de agora, faz parte do grupo onde se cultiva a poesia em língua portuguesa (popular e erudita).
Se lhe surgir alguma dificuldade, não hesite em escrever para: < moderadores-lugar-ao-sul@grupos.com.br>.

quinta-feira, agosto 10, 2006

Financiamentos da banca portuguesa….

Gajos porreiros


A história é contada por fonte segura. Três indivíduos, todos doutorados em Engenharia pela Universidade de Coimbra, jovens, juntam-se e desenvolvem uma ferramenta para detecção de erros em sistemas críticos de software (como o sistema operativo em naves, aviões, etc.). E decidem lançar uma empresa para trabalhar a ideia. Passo seguinte recorrem a um banco, plano de negócios na mão, para obter financiamento. Resposta: "Vocês são uns gajos tão porreiros, são bons, são doutores, por que é que não se dedicam a dar aulas?"

O fim do projecto poderia ser este.

Sucede que, por uma invulgar condição genética que infelizmente não faz parte da cadeia de ADN da grande maioria dos portugueses, os três não desistiram. Traduziram o mesmo plano de negócios para inglês e apresentaram-no a um banco americano. Que agarrou a ideia e desbloqueou as verbas.

Num país à beira da bancarrota, os bancos são instituições que se atrevem a apresentar crescimentos brutais na justa medida em que as famílias mais se endividam. Por falta de cabeça, é verdade... Instituições que, em vez de contribuírem para o crescimento económico e apoiarem ideias não apenas com base no lucro pelo lucro e na usura despudorada, mas no que representam de inovador e de refrescamento para uma economia em agonia, têm práticas abusivas de arredondamento para cima das taxas de juro, cobram comissões inexplicáveis, mercantilizam e favorecem os empréstimos para a aquisição de tralha consumista.

Em Espanha, onde a sociedade não dorme, estão a ser obrigados a devolver verbas.

terça-feira, agosto 01, 2006

O Pânico Climático, A política do medo

Artigo de Rui G. Moura, Engenheiro. Mestrado em Climatologia


Quando se fala do hipotético aquecimento global pretende-se seguramente meter medo. Até seria desejável que a Terra aquecesse. Com efeito, isso nos traria imensas economias tanto de energia para climatização, como do petróleo bruto e dos seus derivados. Por outro lado, seriam ganhas largas extensões de terra cultivável em direcção às regiões subpolares. Foi o caso entre os anos 1930 e 1960 (período do Óptimo Climático Contemporâneo).
Nessa altura, as explorações agrícolas do norte do Canadá e da Escandinávia deslocaram-se mais para Norte. Nos anos 1970, com o regresso do frio, voltaram a retroceder para Sul. O mesmo aconteceu na África subsariana onde os criadores de gado se deslocaram primeiro para Norte e depois regressaram ao Sul quando a seca estalou nos anos 1970. Durante o período quente, as chuvas tropicais eram mais abundantes. Isso quer dizer, paradoxalmente, que se o aquecimento fosse efectivo, a seca acabaria no Sahel! Mas infelizmente, não é esse o caso.

Refutação do IPCC (Intergovernamental Panel on Climate Change)

O tema do “global warming” é digno de figurar no livro das “Imposturas intelectuais” de Alan Sokal e Jean Bricmont. O “global warming” e as “climate changes” estão de tal maneira bem embrulhadas que não é fácil desmontar esta impostura científica. Mas de acordo com o filósofo Karl Popper, as teorias científicas têm de ser aprovadas ou reprovadas em testes imediatos e não daqui a cem anos. Ora, a refutação desta embrulhada verifica-se todos os dias, todas as horas, todos os segundos e todos os instantes.
Os valores elevados da pressão atmosférica sobre a Europa durante o Verão de 2003 - com a registada vaga de calor -, inscreveram-se na subida que se observa desde o shift ou desvio climático dos anos 1970, mais propriamente em 1976. Essa alta das pressões observa-se sobre a quase totalidade da Europa, de Lisboa, em Portugal, a Constança, na Roménia.
A forte estabilidade anticiclónica (calma ou vento fraco, ausência de movimentos ascendentes) favorece o aquecimento do ar nas baixas camadas. A condução do calor é com efeito tanto mais forte quanto a pressão é mais elevada e desde que o ar não se possa elevar - devido à subsidência, ou pressão de cima para baixo -, sobreaquecendo, portanto, (para a mesma quantidade de energia recebida do Sol) as camadas próximas do solo. O calor provoca uma forte diminuição da humidade relativa, isto é, uma forte secagem do ar, que é tanto mais seco quanto o vapor de água atlântico ou mediterrâneo não penetra no interior do ar anticiclónico (o que reduz consideravelmente o efeito de estufa natural que está principalmente associado ao vapor de água).
A nebulosidade muito reduzida ou nula oferece um ar soalheiro óptimo, e a elevação do calor atinge gradualmente (por efeito cumulativo) a “canícula”, sobretudo nas cidades (menos ventiladas, mais quentes, mais secas) onde se reforça a bolha de calor urbano.
Ao mesmo tempo o carácter anticiclónico (limitado às baixas camadas) e a ausência de movimentos horizontais e verticais concentram a poluição nos níveis inferiores (sob um nível de inversão situado cerca de 1000 a 1500 metros), enquanto a forte insolação acelera a foto dissociação (produção de ozono). Eis a razão da subida da taxa de ozono.
Calor, seca e poluição são, pois, as consequências das altas pressões. E não é seguramente o inverso. Sublinhe-se que, a aceitar-se como válida a teoria do “efeito de estufa antropogénico” do IPCC, teríamos de inverter a realidade.
Nesse caso, a poluição seria a origem da elevação de temperatura que provocaria, pelo contrário, uma baixa de pressão, pois o ar quente se elevaria por não se verificarem as condições anticiclónicas com subsidência. Mas a pressão está a subir!
São, portanto, as condições anticiclónicas com subsidência que constituem a chave do que está acontecendo! Mas referi-las é insuficiente se não soubermos explicá-las como não sabem os defensores de uma teoria refutável pela própria Natureza.
Pergunta-se: é a Natureza que está errada ou é a teoria do IPCC que deve ser refutada e substituída pela teoria dos Anticiclones Móveis Polares
(AMP) do cientista francês Marcel Leroux, Professor de Climatologia da Universidade de Lyon?
Como não é possível no âmbito deste texto explicar toda a teoria dos AMP, iremos desmistificar alguns dos mitos ligados ao “global warming” com que se pretende alarmar a opinião pública sem qualquer justificação científica.

Aquecimento global

Pura e simplesmente, não existe! Quase toda a gente tem fé na curva da temperatura global publicada todos os anos pela OMM (Organização Meteorológica Mundial) e o IPCC (Intergovernamental Panel on Climate Change). Esta curva é apenas uma média das temperaturas medidas em 7000 estações meteorológicas do planeta, tratadas na Universidade de East Anglia, em Londres, sob a direcção de Philipp Jones. O aumento seria de 0,6 ºC desde 1860 até aos nossos dias, ou seja, a diferença de temperaturas que se observa à escala média anual entre quaisquer duas cidades de Portugal.
Que extraordinária confusão! Um tal valor, dado com uma precisão de mais ou menos 0,2 ºC num século e meio, é ridículo, porque ela é da ordem de precisão da medida. Esta curva não é validada pelas medidas recentes efectuadas pelos radiómetros dos satélites que, depois de 1978, não indicam qualquer evolução notória, antes pelo contrário. Nem sequer pelas milhões de medidas das radiossondas dos balões.
Por outro lado, como falar em média à escala global misturando temperaturas marinhas, continentais, urbanas e sobretudo temperaturas de regiões que arrefecem com a de outras que aquecem? Por exemplo, o Árctico ocidental (a norte do Canadá) arrefeceu e o Árctico a norte do Mar da Noruega aqueceu.
Qual é então a verdadeira situação do Árctico? De aquecimento ou de arrefecimento? Não é possível afirmar com segurança que a Terra está aquecendo.

Será possível um aumento da temperatura de 2 a 6 ºC daqui até ao ano 2100?

De modo algum. Não há necessidade de modelos climáticos informatizados para fazer uma tal previsão. O químico sueco Svante Arrhénius (1859-1927) “previu” exactamente a mesma coisa em 1903! Ele aplicou uma regra de três entre o teor de concentração de CO2 da sua época e a temperatura correspondente, por um lado, e o teor previsto para o futuro e a temperatura respectiva. É exactamente isso o que fazem os modelos informáticos ao se insistir no efeito de estufa. Um modelo é apenas uma super calculadora que depende inteiramente dos dados que se lhes fornece e dos procedimentos que se lhes impõe para o tratamento dos dados. Não se deve atribuir aos modelos virtudes “mágicas” tanto mais que eles só dão uma visão muito incompleta e deformada da realidade meteorológica. Em particular, eles não têm em conta a circulação geral da atmosfera, da sua organização e do seu movimento. Para estes modelos, as descontinuidades, presentes por todo o lado na Natureza, não são simplesmente tomadas em consideração. Os modelos utilizados para predição climática são fundados nos mesmos princípios que os utilizados para a previsão meteorológica. Ora, estes últimos erram constantemente, como toda a gente sabe. Eles são incapazes de prever tempestades de neve como as que se verificaram este Inverno de 2006 por toda a Europa. E muito menos, não foram capazes de prever a queda de neve do dia 29 de Janeiro passado em Portugal, acontecimento que não se verificava há 50 anos!

A unanimidade entre os climatologistas não é verdadeira

A unanimidade é o efeito da tirania dos modelos. Insiste-se sobre num pretendido consenso entre os climatologistas quando isso não existe. Além disso, existem vários tipos de “climatologistas”. Veja-se o IPCC, apresentado como a autoridade na matéria. Na realidade, trata-se de um grupo intergovernamental, isto é, a nomeação dos seus membros é política e não responde por critérios científicos. Além disso, a grande maioria dos seus membros não é de climatologistas. Têm conhecimentos científicos limitados sobre o clima. Após o aparecimento da informática, numerosos daqueles que se auto proclamam «climatologistas» são na realidade informáticos-modeladores, que dedicam de longe a preferência pela estatística, sem se preocuparem com os laços físicos reais. Existem contudo climatologistas e meteorologistas, fora do IPCC, que, pelo contrário, se preocupam prioritariamente com a observação dos fenómenos reais e os princípios físicos que os relacionam. Esses discordam do IPCC e estão longe de se convencerem com os resultados dos modelos. Mesmo entre os modeladores, alguns, como o americano Richard Lindzen, permanecem muito cépticos relativamente à hipótese do aquecimento global. O problema do IPCC é que, depois dos anos 80, passou a ser dominado pelos modeladores, vedetas dos meios de comunicação. Os climatologistas realmente preocupados com as análises do tempo reagruparam-se, entretanto, em associações, das quais uma tem o nome sugestivo de “climate sceptics”.

O papel dos gases com efeito de estufa

Meter o acento nos gases com efeito de estufa dá uma visão muito simplista do clima, enquanto outros factores são bastante mais importantes. Em particular, aqueles que determinam a dinâmica da atmosfera, as transferências meridionais do ar e da energia e, para ser mais simples, as transferências de ar frio e de ar quente. Cada um é capaz de observar que a temperatura é função destas bruscas alterações, e que ela não evolui de maneira linear. O importante é primeiramente saber porquê e como as massas de ar frio se formam e se deslocam; porquê elas substituem e são substituídas pelo ar quente - dito de outra maneira de precisar o mecanismo da máquina atmosférica. O tempo depende dia a dia destas mudanças de massas de ar. Por outro lado, no longo prazo, a variação depende da actividade solar (manchas solares, magnetismo, erupção e vento solar), das projecções vulcânicas, dos parâmetros astronómicos, etc. Como pretender que a sua responsabilidade no clima possa ser posta em evidência nos modelos que não tomam simplesmente em consideração o conjunto destes parâmetros? O efeito de estufa é, portanto, totalmente marginal, se não mesmo insignificante, tanto mais que o principal efeito de estufa não é realizado pelo CO2 ou pelo CH4, mas pelo vapor de água. Mas, mesmo a parte real do vapor de água no efeito de estufa não é considerado no seu justo valor nos modelos.

Não há clima global

Pelo contrário, conhecemos perfeitamente a evolução dos climas regionais que seguem evoluções fortemente dissemelhantes. Além disso, é bastante revelador verificar que, na confissão do próprio IPCC, os modelos são incapazes de reconstituir estas variações regionais! No seu segundo relatório de avaliação, de 1996, o IPCC escreveu: “Os valores regionais das temperaturas poderiam ser sensivelmente diferentes da média global, mas ainda não é possível determinar com precisão as suas flutuações”. Isto significa que os modelos do IPCC seriam capazes de dar um valor médio sem conhecer os valores regionais que permitem estabelecer precisamente esta média! Isto não é sério!
No Atlântico Norte, observa-se um arrefecimento na parte oeste (Canadá, Estados Unidos a este das Montanhas Rochosas), enquanto na Europa ocidental se observa um aquecimento, nomeadamente na Escandinávia. A Europa central arrefece como o Mediterrâneo oriental, ou como a China. Estas diferenças de comportamento resultam da dinâmica aerológica. Isso depende das trajectórias dos anticiclones móveis polares (AMP). Estes são vastos discos de ar glacial de mais de 1500 km de raio, gerados quotidianamente pelos pólos. Estes discos deslizam rente ao solo sobre camadas de ar quente mais ligeiras, contornando os relevos para se dirigirem em direcção ao equador.
As suas faces frontais provocam o retorno para o seu pólo respectivo do ar aquecido vindo dos trópicos. Os AMP representam o próprio exemplo de descontinuidade que os modelos informáticos se recusam a incorporar nas suas equações matemáticas. Por outro lado, eles apontam o dedo ao comportamento particular e à importância das regiões polares que, contrariamente às previsões dos modelos, não estão a aquecer, mas a arrefecer.

O mito da fusão das calotes polares

Evitemos a generalização: em detalhe, o gelo do mar funde a norte do mar da Noruega ou na região das Aleutas no Pacífico Norte onde chegam a água marinha e o ar aquecidos. Em troca, a banquise (bancos de gelo) não varia ao norte do Canadá. O grosso da calote antárctica não fundiu desde a sua formação há 60 milhões de anos. A observação dos satélites mostra mesmo que no decurso do período 1979-1999, que é o de maior suposta elevação de temperatura, a superfície da banquise aumentou globalmente ao redor do continente Antárctico. Na Gronelândia, certas regiões fundem, especialmente à volta da enorme ilha, mas a massa de gelo aumenta no centro da ilha, como acontece com a massa da maior parte dos glaciares escandinavos. O arrefecimento dos pólos atingiu 4 a 5 ºC durante o período 1940-1990, isto é, mais de metade, mas em valor negativo, do valor previsto para 2100! É o desmentido mais flagrante levado às previsões dos modelos. É, portanto, surpreendente que tenha havido a ousadia de se conceber um tal aquecimento sem que haja qualquer razão física que o possa justificar! Será somente para meter medo às pessoas com a pretensa subida dos níveis dos oceanos que poderia resultar de uma subida de temperatura?
Pelo contrário, o que é seguro, é que como os pólos arrefeceram, a potência e a frequência dos AMP aumentam, os contrastes de temperatura elevam-se, as confrontações entre o ar frio e o ar quente são mais vigorosas e o tempo torna-se cada vez mais violento e cada vez mais contrastado nas nossas latitudes. Torna-se assim mais irregular, com períodos extensos de frio seguidos de calor, de chuvas mais abundantes e de secas mais frequentes. Os recordes de calor e de frio são consequentemente batidos. Mas só se ouve falar nos de calor… Por exemplo, o Canadá sofreu a pior tempestade de neve da sua história em
1998 e a Mongólia conheceu dois Invernos sucessivos de tal forma rigorosos que o Estado teve de pedir ajuda internacional. Seria mais judicioso ter em consideração esta evolução real em vez de um hipotético cenário para o horizonte de 2100, para assegurar, por exemplo, uma melhor gestão da água, nomeadamente para o domínio agrícola. Portugal não está isento do que pode acontecer em qualquer outra região do mundo. Já tivemos quedas de neve em Lisboa, em 2006. A canícula do verão de 2003 é ainda um outro exemplo, se bem que ela tenha sido apresentada como a prova do aquecimento global. Este erro de julgamento foi a base da implementação de um plano anti-canícula para o Verão de 2004, canícula que não se verificou (para espanto dos alarmistas). Em 2003, tratou-se simplesmente de uma vasta alta de pressão através da Europa ocidental, ela própria consequência de um aumento da frequência dos AMP, visíveis nas imagens dos satélites, mas que os modeladores não gostam de ouvir falar! Nessa época, fez frio em Moscovo como há muito não acontecia no Verão. Em Julho deste ano repetiu-se este fenómeno.

O caso dos ciclones tropicais

O IPCC, nos anos 90, sustentou que os modelos são incapazes de prever a evolução da ciclogénese que não apresenta qualquer tendência para aumentar no Atlântico Norte desde há um século. Os modelos anunciavam então que o aquecimento conduziria a uma maior clemência climática: “As tempestades nas latitudes médias (…) resultam de elevado gradiente (diferença) de temperatura entre os pólos e o equador (…). Como este gradiente vai enfraquecer com o aquecimento (…) as tempestades nas latitudes médias serão mais fracas”, escrevia o IPCC em 1990. Mas hoje, já que o tempo não evoluiu conforme às suas previsões, o mesmo IPCC esquece os seus próprios escritos e recupera a violência - mais mediática - do tempo ao anunciar que é precisamente devida ao aquecimento. Enfim, ainda há quem pense que estamos perante cientistas sérios… A ciclogénese depende de cinco condições draconianas. Basta uma delas não se verificar para não se gerar um ciclone tropical. A temperatura da água do mar é apenas uma delas. Ainda ninguém pensou qual a razão de não se gerarem Katrinas no Mediterrâneo ou no Mar Negro? Lá não existem nem o equador meteorológico vertical, nem os alísios e as monções, nem campos depressionários nas baixas camadas, nem ascendências dinâmicas nem a possibilidade de se desenvolver até à troposfera. Como estas condições não estão reunidas todos os dias, mesmo com temperaturas elevadas do mar, os ciclones tropicais, felizmente, não nascem diariamente!

A desinformação global

Prever o tempo foi sempre apaixonante. Ora, prever que nada de alarmante se vai produzir não é muito interessante. No início do sec. XX, as predições alarmistas estavam já na moda.
Entretanto, elas não tiveram sucesso perante a realidade que as desmentia ano após ano. Foi somente a partir de 1985 que o alarmismo reapareceu quando a climatologia foi monopolizada pelos informáticos com os cenários mais catastrofistas. Esquecendo simplesmente a meteorologia, os modeladores fizeram cálculos extremamente simplistas com o apoio de modelos super-sofisticados para impor os seus conceitos. Mas as hipóteses sobre o aquecimento climático nunca foram verificadas pela observação, nem no início nem no fim do sec. XX. A famosa curva do IPCC não é mais do que um artefacto constantemente desmentido pelas medidas e pelas observações dos satélites.
Na realidade, o problema dito do clima é confundido com o da poluição, dois domínios, contudo, distintos que só serão bem tratados, um e outro, quando forem dissociados. Esta confusão serve igualmente de pretexto para impor uma restrição à actividade humana, considerada erradamente como a origem do aquecimento climático. A relação de interesses que se estabeleceu entre certos laboratórios, várias instituições internacionais e certos homens políticos, impôs a noção de aquecimento global. Seguir cegamente os “Sumários para os decisores” elaborados pelo IPCC faz deixar de lado os fenómenos reais, desperdiçar somas colossais para pagar reuniões por definição inúteis, e impede a tomada de medidas de prevenção eficazes contra os verdadeiros acontecimentos climáticos que iremos conhecer. Para que serve preparar a economia de um país para o eventual aquecimento quando todos os seus termómetros assinalarem arrefecimentos?
Finalmente, o aquecimento climático reveste cada vez mais um carácter de manipulação que parece verdadeiramente uma impostura “científica” e cujas primeiras vítimas são os climatologistas que não recebem os financiamentos que se dirigem para a corte de “climatocratas” do IPCC.

Ramada, 24 de Julho de 2006

Blogue Mitos Climáticos

domingo, junho 25, 2006

A chiquespertice nacional

(crónica de Tsering Paldrön)


Acho que o desenvolvimento de um país se mede pelo civismo dos seus habitantes. Porque onde há civismo há educação e onde há educação vive-se bem, mesmo que seja com pouco dinheiro.
Uma das coisas que mais me afligem hoje na sociedade portuguesa é a falta de civismo pelo que denota de egoísmo mesquinho e de subdesenvolvimento mental. Esta falta de sentido de responsabilidade cívica estende-se de forma aflitiva a toda a sociedade e manifesta-se de alto a baixo da pirâmide social. Desde o absentismo dos deputados da Assembleia, até à maneira selvagem e inconsciente como se comportam na estrada os portugueses, essa ausência crónica de sentido de responsabilidade civil aflige-me, entristece-se e incomoda-me.
Onde quer que os homens vivam em conjunto, seja numa família, numa aldeia, numa cidade ou num país, as regras da convivência social existem para que a vida de todos seja mais simples e mais fácil.
Quando essas regras são cumpridas, quando cada um além de pensar em si, pensa também – um pouquinho que seja – nos outros, tudo é bem mais agradável. É isso que distingue a vida cívica organizada da selva e do caos, do salve-se quem puder.
Não somos decerto mais estúpidos do que os outros. Mas sofremos de um síndroma deplorável que se perpetua de geração em geração: o chiquespertismo, a crença arreigada e irracional de que podemos fazer tudo o que queremos porque somos mais espertos do que toda a gente. Os outros bem podem esperar pacientemente na fila, nós vamos pela berma; os outros bem podem pagar os impostos, nós somos campeões da evasão fiscal; os outros bem podem ter palavra e assinar contratos, nós estamos acima dessas coisas.
O pior é que, cegos pelo nosso atavismo, chegamos a considerar o chiquespertismo como uma qualidade, um ideal de vida, um exemplo a seguir. Não deve haver muitos países onde pessoas suspeitas de corrupção sejam eleitas pelo povo como seus representantes autárquicos. Uma sociedade normal, escolhe os melhores e os mais competentes para a representar e a governar e, assim, esta nossa escolha é a prova cabal do valor que damos ao chiquespertismo e de como ele nos merece toda a confiança e admiração.
Esta atitude infeliz é o mote do nosso portuguesismo. É desta irresponsabilidade que padece a nossa sociedade em geral, irresponsabilidade que se traduz também em incompetência e laxismo.
Não é só por sermos pequenos e pobres que somos pouco desenvolvidos – outros países tão pequenos ou mais do que nós estão entre os mais desenvolvidos da Europa – é sobretudo por sermos tão pequenamente espertos em vez de sermos verdadeiramente inteligentes.
E qual é a diferença? O chico-esperto só pensa nele e só a curto prazo. Quer benefícios avultados e imediatos, seja qual for a factura para o ambiente ou para a sociedade, e mesmo que para tal tenha de pôr os outros – às vezes também ele próprio e a sua família – em risco. O chico-esperto é corrupto e tenta passar através das malhas, com a certeza de que enganará tudo e todos e de que sairá sempre impune. O chico-esperto é oportunista e irresponsável e, como pensa que pode
escapar às consequências dos seus actos, não está de forma alguma preparado as enfrentar.
A atitude inteligente é entender que, como estamos todos ligados, a sociedade funcionará melhor se cada um cumprir a sua parte; que todos ganharemos se os mecânicos, os taxistas, os empreiteiros, os médicos, os advogados e todos nós, formos honestos e tivermos ética profissional; e que, isso assim for, as nossas empresas serão mais competitivas, haverá menos desemprego, mais ideias, mais iniciativa e melhores condições para toda a gente.
Temos um país bonito e cheio de possibilidades, temos uma luz espantosa e um clima estupendo. Somos um povo pacífico e tolerante, acolhedor e caloroso. Se excluirmos os incêndios no Verão (muitos deles fruto da chiquespertice nacional), poderíamos até dizer que poucas catástrofes cá chegam. Então que nos falta para sermos felizes?
Podem crer que, se cada um de nós assumisse as responsabilidades familiares, profissionais e cívicas que lhe competem, Portugal seria um verdadeiro paraíso sobre Terra.


Nota:
Tsering Paldron (Emília Marques Rosa) nasceu em Lisboa em 1954, numa família tipicamente portuguesa. Estudou no Lycée Français Charles Lepierre e, mais tarde, na Universidade de Letras de Lisboa. Por razões pessoais deixou Portugal em 1973 e foi viver para Bruxelas,
onde, pela primeira vez, tomou contacto com o budismo tibetano…….

sábado, junho 10, 2006

23º Festival de Almada

quarta-feira, maio 24, 2006

O mundo virtual

Entrei apressado e com muita fome no restaurante. Escolhi uma mesa bem afastada do movimento, pois queria aproveitar os poucos minutos que dispunha naquele dia atribulado, para comer e consertar alguns bugs de programação de um sistema que estava desenvolvendo, além de planejar minha viagem de férias que há tempos não sei o que são.
Pedi um filé de salmão com alcaparras na manteiga, uma salada e um suco de laranja, afinal de contas fome é fome, mas regime é regime né?
Abri meu notebook e levei um susto com aquela voz baixinha atrás de mim:

- Tio, dá um trocado?

- Não tenho, menino.

- Só uma moedinha para comprar um pão.

- Está bem, compro um para você.

Para variar, minha caixa de entrada esta lotada de e-mails. Fico distraído vendo poesias, as formatações lindas, dando risadas com as piadas malucas.
Ah! Essa musica me leva a Londres e às boas lembranças de tempos idos.

- Tio, pede para colocar margarina e queijo também. (Percebo que o menino tinha ficado ali)

- Ok. Vou pedir, mas depois me deixe trabalhar, estou muito ocupado, tá?

Chega a minha refeição e junto com ela meu constrangimento. Faço o pedido do menino, e o garçom me pergunta se quero que mande o garoto ir embora.
Meus resquícios de consciência me impedem de dizer. Digo que está tudo bem. Deixe-o ficar. Que traga o pão e, mais uma refeição decente para ele.
Então ele sentou à minha frente e perguntou:

- Tio o que esta fazendo?

- Estou lendo uns e-mails.

- O que são e-mails?

- São mensagens electrónicas mandadas por pessoas via Internet (sabia que ele não ia entender nada, mas, a título de livrar-me de maiores questionários desses):

- É como se fosse uma carta, só que via Internet.

- Tio você tem Internet?

- Tenho sim, essencial ao mundo de hoje.

- O que é Internet ?

- É um local no computador, onde podemos ver e ouvir muitas coisas, notícias, músicas, conhecer pessoas, ler, escrever, sonhar, trabalhar, aprender. Tem de tudo no mundo virtual.

- E o que é virtual?

Resolvo dar uma explicação simplificada, novamente na certeza que ele pouco vai entender e vai me liberar para comer minha refeição, sem culpas.

- Virtual é um local que imaginamos, algo que não podemos pegar, tocar. É lá que criamos um monte de coisas que gostaríamos de fazer. Criamos nossas fantasias, transformamos o mundo em quase como queríamos que fosse.

- Legal isso. Gostei!

- Mocinho, você entendeu que é virtual?

- Sim, também vivo neste mundo virtual.

- Você tem computador?

- Não, mas meu mundo também é desse jeito...Virtual. Minha mãe fica todo dia fora, só chega muito tarde, quase não a vejo, eu fico cuidando do meu irmão pequeno que vive chorando de fome e eu dou água para ele pensar que é sopa, minha irmã mais velha sai todo dia, diz que vai vender o corpo, mas não entendo pois ela sempre volta com o corpo, meu pai está na cadeia há muito tempo, mas sempre imagino nossa família toda junta em casa, muita comida, muitos brinquedos de natal e eu indo ao colégio para virar médico um dia. Isso é virtual não é tio???

Fechei meu notebook, não antes que as lágrimas caíssem sobre o teclado. Esperei que o menino terminasse de literalmente "devorar" o prato dele, peguei a conta, e dei o troco para o garoto, que me retribuiu com um dos mais belos e sinceros sorrisos que já recebi na vida e com um "Brigado tio você é legal!".

Ali, naquele instante, tive a maior prova do virtualismo insensato em que vivemos todos os dias, enquanto a realidade cruel rodeia de verdade e fazemos de conta que não percebemos!"


Se é História ou Estória, não importa.
O que importa é a Mensagem!

quinta-feira, maio 11, 2006

Em cima ou em baixo

É enviado um neurónio ao cérebro de um homem.

Ele chega, entra e não encontra nada.
- Há alguém aqui? - Pergunta baixinho.
- Há alguém aqui? Oooláaaa! Não há ninguém...?
O pobre neurónio encontrava-se sozinho ali. Começou a ficar muito triste e seguia lamuriando-se:
- Eu aqui tão sozinho... snif... snif...para o resto da vida...snif!
De repente, ouve um ruído de alguém que se aproximava... Era outro neurónio que, ao vê-lo, pergunta:
- Que fazes aqui sozinho? Porque choras?
- Porque pensava, snif... que não havia ninguém e que ia ficar aqui para sempre sem companhia... snif...
- Tás maluco? Somos imensos! Estamos é todos lá em baixo, na outra cabeça, onde há uma g'anda festa... Eu só subi para vir buscar gelo!...